segunda-feira, 25 de abril de 2011

Por acaso li e curti

Eu estava lá



setembro 26, 2009 por Mulherices (http://mulherices2010.wordpress.com/2009/09/26/eu-estava-la)



Por Vanessa Pinho





Eu estava lá. Mega produção. Esmalte. Chapinha. Perfume caro. Sorriso no rosto. Salto alto. Pretinho básico. Legal, tudo estava correndo bem. Festa. Amigos. Como diz o Lê: a gente precisa passar por todo tipo de emoção durante o dia, boas ou ruins. E eu, estava prestes a saber o que era isso.



- Eba! Ele chegou!



Mãos dadas. Beijinho no rosto. Combinamos a semana inteira sobre aquela festa. Eu estava feliz na condição de pseudo-namorada. Estava curtindo, tudo, intensamente. A festa começou a acontecer. Ele começou a acontecer mais do que a festa.



- Já falei pra você que tenho horror de gente que bebe demais e fica de olho
vermelho, traumas de infância, já te expliquei isso.

- Mas eu não bebi.
- Bebeu sim.
- Quem vai levar o carro agora?
- Haaa, você!
- Suicida!



E enquanto eu ficava ali pensando que a noite tão esperada estava escorrendo pelo ralo feito meu xampu de salão caro, percebi aquele olhar vindo na minha direção.
E não era um olhar vermelho. E não era um olhar desconhecido. Muito pelo contrário. Eu conhecia aquele olhar há pelo menos uns cento e quatro anos, e sentia, muita saudade dele. Era isso. Era como reencontrar aquele que foi par na quadrilha na 1ª. série, aquele que no dia da festa não vinha e você tinha que ficar de fora da dança. Era assim, um olhar que eu esperava. E tem mais: não era só um olhar. Era um cabelo sem a mínima pretensão de estar arrumado. Era uma conversa que poderia durar horas. Era um sorriso que parecia acabar com os problemas do mundo, com a corrupção, com as drogas, com a crise mundial.



Ele veio me cumprimentar. E eu fingia estar tudo sob controle. Eu já o conhecia, já tínhamos conversado um montão de vezes. Mas pra mim ele era imaginário, sabe? Ele já tinha me dito que existia, mas eu não acreditei. E pior que existia. Ou melhor. Não sei. Enfim, mil coisas.



Ele me abraçou e eu parecia ter sido transportada pro cenário da novela alma gêmea, da Globo:



- Nossa, que bom te encontrar aqui. [Clima de descontração é importante ainda que o coração esteja batendo no ritmo da bateria do Salgueiro].
- É verdade, tudo bem?
- Sim, tudo bem. [Haaa, claro, tudo muito bem, você tem alguma dúvida disso?]



E eu fiquei ali como se tivesse dado um stop no planeta, sabecomé? Eu queria que o mundo esperasse, vê se pode? Eu queria que todo mundo congelasse, que o som acabasse, só pra poder ouvir aquela voz que eu não conhecia. E nem que o palco caísse, eu sairia dali. O palco caiu.



- Hãinnnn Jesus! Se machucou?
- Não, tô bem, quase caiu em mim, mas tá tudo bem… [risos]
- Então tá, vou lá. Bom te ver. [Ótimo te ver, maravilhoso, perfeito, mágico,
inclusive].

E eu fui, mas meu coração ficou ali, puxou uma cadeira, sentou ao lado
daquele moço e pediu um café expresso e uma água, por favor! Nós ficamos
conversando a noite inteira por músicas:



“Penso naquele menino a cada manhã… Penso nele todo dia ele é minha alegria, ôO, ÔO, ôO!” [Cala a boca Ivete, já chega!]



“Amor da minha vida, daqui até a eternidade, nossos destinos foram traçados na maternidade…” [Não me enche Cazuza, não tá vendo que o clima já está estranho?]

Meu “par na festa” aparecia de vez em quando, verificava se eu estava viva e ia ao
bar. Não necessariamente nessa mesma ordem. Eu olhava pro menino do sorriso
calmante, pro meu relógio e pensava em ir pra casa e ficar pelo menos meia hora
olhando pro nada, nessa ordem. Eu queria tomar um banho também. Sempre resolvi todos os problemas da minha vida no banho. Mas dessa vez, eu queria mesmo era voltar pro útero e ficar por lá, mais uns seis meses, pra ver se me colocam os sentimentos que faltaram. Desapego. Onde vende isso? Como eu faço pra ter? Eu precisava me desapegar.



Deixe que digam, que pensem, que falem, deixe isso pra lá, vem pra cá, o que que tem? [Haaa, não, aí já é demais. Fala assim porque não é com você,
Lulu]



A festa acabou, o meu pseudo namoro também. Mas a esperança de ver aquele menino de novo só crescia. Hã? Claro que eu fui batizada, fiz até a crisma. Mas não
posso fazer nada se minha cabeça e meu coração entram em conflito.



Eu deveria nesse momento procurar um padre, me confessar, algo assim. Mas vou
deitar, ligar na Itapema, abrir um pouco a janela pra ver o vento balançar a cortina igual cenário de novela das oito e ficar ali, olhando pro bege da parede. Eu odeio a cor bege. Mas sobre isso eu falo depois.



Nunca me senti tão dividida, tão perdida. Estou me sentindo uma leitora da revista Capricho, enfim. Stella, só você pra me aconselhar.

Um comentário:

Glazi Caetano disse...

Olá! Estou seguindo seu blog... visite o meu, ok!?

bjus