O que me inspira? Será que é a arte de rua com suas sucatas harmoniosamente empilhadas. Ou a desenvoltura e delicadeza do artesão ao montá-las?
Será que são os prédios que se escondem entre outros que se confundem em suas cores neutras, ou aquele último, diferente que reflete na minha janela toda vez que o Sol se põe?
Será que é a velocidade dos carros na avenida conduzidos pelos faróis coloridos, ou a passagem lenta dos pedestres na faixa bicolor?
Será que o que me inspira é a tecnologia e a rapidez de enviar e receber uma informação, ou a arte de escrever uma carta de amor e ansiosamente aguardar seu transporte a pessoa amada?
Me inspira ver o sorriso de uma criança que ainda tem muito a aprender, ou em aprender com um sorriso de alguém de idade?
Me inspira um enorme urso de pelúcia na vitrine de um shopping, ou uma boneca de plástico nos braços de uma criança de rua?
Me inspira uma pichação, um grafite ou tudo é arte?
O Sol ou a chuva? A Lua ou as estrelas? A guitarra ou o violão? A voz ou o silêncio?
A dúvida ou a certeza? A atração ou a resistência? O amor ou o ódio?
Do mais simples ao mais detalhado tudo se resume em arte. Até os mais críticos deverão concordar com isso.
O amor, por exemplo, é realmente uma arte, incompreensível, mas é uma arte. Quando se ama, tudo fica mais belo, até o vento pode ser motivo de uma trilha sonora, até a chuva pode ser um motivo de ficar em casa, cuidar de si, cuidar de ti.
A saudade também é uma arte. Quando se sente saudade, e necessita sana-la, as vezes se viaja para longe, as vezes são cometidas loucuras. Pode ser motivo de cuidar de ti, e não cuidar de si.
A arte se manifesta através de todos sentidos: pela visão, audição, tato, paladar ou olfato. Será que faz sentido?
A arte deveria ser considerada sentimento, um sentimento bom, pois faz rir, chorar, criticar, amar, se preocupar, duvidar, não entender.
Quando a respira, as vezes pira, mas isso inspira.
E isso sim é inspirador.
Isso sim me inspira.
Foto e Texto: Michele Peixoto

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