terça-feira, 31 de julho de 2012

31 de Julho

Fácil seria se o mundo fosse mesmo um jardim, onde pudéssemos tirar as folhas secas que o enfeie, cortar as flores que estão murchas, mudar de estilo flores, para frutas, colocar adubo e fazer crescer novamente. Mas é uma pena, o mundo não é assim. Somos aquele caule de sempre que vai viver lentamente todo o seu processo. Só pelo fato de errarmos não é tão fácil 'cortar o tal mal pela raiz'. Só por estarmos tristes, não é tão fácil esquecer tudo e plantar tudo de novo. Só porque aquele amigo nos traiu, não dá para transformarmos aquelas rosas em crisântemos. E se eu não for uma rosa, delicada, doce, meiga. Fofa. E se eu for um cravo.. diferente, tortuoso, inocente? Mas não saberemos, pois dizem quem as rosas não falam.
O real, se é que tudo isso é real, é que somos seres humanos - e as vezes acho que somos piores que animais - e lidamos com todos os tipos de gente. Temos sentimentos, nos desiludimos (diversas vezes), agimos por impulso, por achar que é amor, rimos, choramos, fazemos amigos, desperdiçamos, perdoamos, tentamos esquecer, ficamos loucos, somos rejeitados, gritamos, fazemos promessas, magoamos, nos apaixonamos, morremos de saudade, (tentamos) substituir pessoas, esquecemos, perdemos pessoas, (sobre)vivemos. E isso tudo é real? Escrevemos para não deixarmos nossas tristezas virarem doença, só que esquecemos que as palavras as vezes doem, e ferem outras pessoas. As vezes achamos que viver sozinho é vantagem e que ninguém está vendo agora, mas neste mundo não há como se esconder nas plantas, no nosso mundinho, pois sempre há alguém olhando, torcendo por nós, orando por nós, ou (infelizmente) nos invejando. Esquecemos que fazemos parte de uma sociedade (que está cada vez mais perdida) e se desligar de tudo é praticamente impossível.
Estou há dois dias chorando de dores que não passam. Dores que surgiram de detalhes embaraçados. Dores de amores dos outros, que surgiu como uma bala perdida. Minha vontade é de me isolar de tudo e todos, é de desistir, é de simplesmente não continuar. Devolver a Deus o que ele me deu quando nasci, assim, de mão beijada e lavada. É de sumir, e apenas pedir que sorriam, e que curtam suas vidas felizes, sem se importar com nada, sem se agredirem, sem dar desculpas esfarrapadas para não magoar. Mas, mais vale a dor de uma verdade ao sofrimento de uma mentira. Prefiro a simpatia sutil, à simpatia exagerada que te apunha-la e culpa pelas costas. O texto anterior era para ser meu último texto, pois estava a contemplar a linda altura do meu querido prédio e inquieta para saber qual a velocidade do vento em seu terraço, sorrindo ao saber que a última imagem seria do céu nublado e frio. Mas de algum lugar me veio a vontade de tentar (novamente). Sai do trabalho mais cedo, procurei abrigo no silêncio oco e no cheiro intrigante de Nossa Senhora dos Remédios me acuei em seus braços por um bom período.
O jeito é ir embora, para não tão longe agora, mas ir embora. Como e quando ainda é um mistério, mas o lugar já foi escolhido, basta o tempo decidir. Pode ser uma solução para o que se passa aqui. Na verdade é a única que vejo para deixar de lado os sentimentos e opiniões atravancadas dos outros e trilhar um novo começo. A exaustão tomou conta de mim, e me decepcionei com quem nunca achei que iria me decepcionar. E o mais surpreendente foi ser rotulada como a errada. Bem, se ela foi um doce, fique com o doce, mas não se engane com os argumentos declarados. Havia me esquecido que sua memória é fraca e que não se lembra quem que guardou seu amor (apesar de desdenhado) no bolso, e o apoiou desde o início. Ninguém, em nenhum momento, utilizou o 'respeito' que tanto venera.
Amanhã, começa Agosto, e espero não publicar como publiquei neste mês minhas amargas lembranças.
Tenha certeza que 'um dia' não vou rir de tudo isto que aconteceu, mas vou tentar ao máximo "perder com classe e vencer com ousadia", como dizia Chaplin, e traduzir tudo para o meu crescimento como pessoa, como mulher e como ser humano.

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