Hoje. Neste exato momento era pra eu estar com dor de barriga, pois estaria no trânsito a caminho do Aeroporto. E o coração na mão com medo de perder o vôo. Hoje. Eu poderia ter tido um infarto de tanta ansiedade, só de pensar que daqui algumas horas eu iria finalmente te reencontrar. Há mais de um mês eu estava pensando no que eu iria falar para minha mãe ao dizer que estava indo para o Chile. Há um mês o sonho se inverteu. O tempo parou e lágrimas me deu. Há duas semanas eu não queria mais sonhar. Há uma semana eu queria tentar. Há três dias, tudo isso foi para o ar. Hoje. Que eu planejara ser um dia incrível, tratou de ser normal, bem sem sal. Hoje que eu já sentia o frio na nuca, o vento gelado e meu nariz vermelho se escapuliu das minhas mãos como um peixe que busca a água. Hoje, as horas extras fazem parte de mim para que eu não possa parar pra pensar... seja em um ônibus, seja em um metrô, seja andando ou no meio do caminho. Hoje virou um nada. Apenas mais um dia sem graça. Hoje tornou-se frágil, amargo e agora o amanhã, para nós, tornou-se raro.
Adiós Rodrigo Geremia Rios.
